O Comércio Justo (Fair Trade) é um movimento internacional que surgiu na metade dos anos 1960 para a promoção de condições de mercado mais justas entre países consumidores e produtores de países em desenvolvimento.
ONGs e associações com vínculos religiosos promoviam a compra de produtos provenientes de produtores de países mais pobres como mecanismo de apoio financeiro, pela compra direta, sem a presença de atravessadores.
Esse movimento global inclui atividades de conscientização tanto aos consumidores quanto aos próprios governos, para promover o acesso aos mercados dos produtores menos favorecidos.
A FLO (Fairtrade Labelling Organizations) é uma organização guarda-chuva que foi criada em 1997 por 17 Associações do Comércio Justo da Europa.
Hoje, a FLO conta com 20 Associações na Europa, EUA, Japão, Austrália e Nova Zelândia, sendo o Brasil a 21ª iniciativa.
Além disso, seguindo a sua vocação de dialogo e envolvimento com as partes interessadas, a FLO incorporou como novos associados três Associações que representam as organizações de produtores certificados Fairtrade na América Central, América Latina, África e Ásia.
O conceito de Comércio Justo divulgado pela FLO, é fundamentado na Certificação por uma terceira parte independente, chamada FLO-CERT.
A FLO-CERT certifica as associações de pequenos produtores e comerciantes, sendo que tais produtos podem ser reconhecidos pelo consumidor através do selo Fairtrade.
A marca Fairtrade é um selo independente que aparece nos produtos finais, sendo a única garantia para os consumidores de que os produtores receberam um preço que cobre os seus custos de produção e foram orientados a utilizar o Prêmio Fairtrade na melhoria das suas condições socioeconômicas, sempre com respeito ao meio ambiente.
Para que um produto apresente o selo Fairtrade, é obrigatório que todos os elos da cadeia de produção estejam conformes com as normas internacionais de certificação do comércio justo, as quais são determinadas por especialistas em certificação internacional da FLO.
As partes envolvidas na produção e comercialização recebem inspeções anuais para garantir a transparência das transações comerciais Fairtrade, assim como para monitorar o impacto efetivo no desenvolvimento socioeconômico das comunidades beneficiadas.
A Certificação Fairtrade tem se consolidado como um dos instrumentos mais bem-sucedidos para a luta contra a pobreza e o acesso aos mercados. Ao mesmo tempo, consumidores de todo o mundo reconhecem no Selo Fairtrade a garantia de um sistema crível e transparente de promoção do desenvolvimento sustentável.
A crescente preocupação dos consumidores brasileiros em relação ao desenvolvimento sustentável e proteção do meio ambiente criaram uma oportunidade de mercado para que produtos certificados Fairtrade sejam consumidos no Brasil. Entretanto, pelo fato do Brasil ser um país tradicionalmente exportador de “commodities”, é necessário o desenvolvimento de um intenso trabalho para que os pequenos produtores tenham condições de vender em seu próprio país.
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